Morando Sozinha + primeiras semanas em terras francesas

02-casa

Bonjour, people!

Aproveitando enquanto tenho internet para fazer um post sobre morar sozinha (e sem carro). E em outro país.

Eu sempre disse para os meus pais que iria morar com eles até os meus 45 anos. Meu pai já logo respondia “quando você tiver com 45 eu estarei com 80! Se ficar até essa idade vai ter que ficar até eu morrer ou te processo por abandono de idoso! Tem certza que quer ficar até lá?”

Já comentei que sofro com mudanças repentinas e drásticas. Então desde que fui aprovada, além de ver videos e blogs sobre a França e estudos, também passei a ver relatos sobre morar sozinha, morar sozinha em outro país, decoração de casa e dicas de como limpar sua casa rapidamente.

Adaptação:

Criei um cronograma de limpeza e por enquanto estou seguindo à risca! Tenho um dia pra passar pano na casa, outro para móveis etc.

Obs.: Acho que quem acompanha o blog deve pensar “Que porre de menina, tem planilha pra tudo, cronograma…” Eu JURO que eu sou legal, só sou organizada! Graças a isso tudo que eu preparei antes vir (comentado neste post) aqui eu tenho mais tempo livre para fazer outras coisas, pois já cheguei com a mente programada e com tudo certinho.

Só lavo louça e guardo 1x por dia. Não seco. Sempre achei perda de tempo secar louça. Ainda mais aqui que o tempo é seco, vc lava um montão de roupa de manhã e no fim da tarde já colocando tudo de volta no guarda roupa é que não seco MESMO.

Ah, aqui tem algumas coisas diferentes…

  1. Eu moro no meio do mato! Totalmente diferente da minha cidade de praia… Hahahaha então tem muito inseto, abelha e principalmente… Aranha.  Uma das primeiras coisas que eu comprei quando cheguei (além do vinho) foi um inseticida e abri antes do vinho! Hahaahha 7 dias, matei 8 aranhas. -.-‘ A primeira vez foi horrível eu pulava e gritava e tal. Agora já evolui um pouco, só pulo.
  2. O banheiro não tem janela. Isso me dá uma agonia IMENSURÁVEL. Em um lavabo, ok. Em uma viagem, ok. Mas morar num lugar em que vc não pode abrir a janela do banheiro me dá desespero! Um desespero maior do que o item abaixo.
  3. Não tem ralo na casa. Eu já sabia disso quando ainda estava no Brasil. Não sei se todo brasileiro é assim, mas minha avó lavava até o guarda-roupa com balde de água. E essa adoração por água passou pela genética. Então ainda no Brasil eu comecei a ver vídeos de lavagem sustentável e aplicar no meu próprio banheiro com ralo. É uma forma de limpar a casa com pouca utilização de água ou nenhuma. Bom, ainda bem que fiz isso. Cheguei aqui já calejada. Hahahaahaha

Ainda não vi baratas, GRAÇAS A DEUS. Nem na rua. Tá melhor que no Brasil. Em compensação, já vi rato.

Decoração:

Chez moi ainda não está pronta, mas assim que tiver eu tiro fotos e publico aqui o antes e o depois.

O lado bom é que aqui dentro da residência tem tipo um brechó, se chama Magasin Solidaire. Funciona da seguinte forma: os antigos alunos deixam algumas coisas por lá, seja pq não coube na mala ou pq não tem mais utilidade para a pessoa naquele momento e os novos alunos ou pessoas que precisam de algo vão até lá com seus sacos de Papai Noel sacolas e pegam o que precisar. A única restrição que vi até agora foi para travesseiros: 1 por pessoa. rs

E são coisas em ótimo estado, todas funcionando e muitas de muito bom gosto. Tem desde colher de pau à casaco de inverno, roupa de cama… Enfim, tem de TUDO mesmo. Peguei muitas coisas de lá para mi casa e quase sempre que eles anunciam no grupo do facebook que o magasin vai estar aberto lá vou eu e minha sacola dar uma olhada se alguém deixou algo interessante nos últimos dias para incorporar na minha casa. hahaahahah A mulher de lá já sabe meu nome e sobrenome completo. Acho que daqui pouquíssimo tempo ela já vai até saber meu número do passaporte.

O chuveiro é bem diferente… O chuveiro daqui é um chuveirinho do Brasil. E por mais que você queira gastar água você simplesmente não consegue! É tão díficil e desconfortável que você automáticamente – quer queira, quer não – adere o estilo econômico de banho. Só pra deixar claro: estilo econômico de banho é BEM diferente de ausência de banho! Hahahaahah Estilo econômico = ficar no abre e fecha de chuveiro. Abre pra molhar o corpo e fecha. Se ensaboa. Abre de novo. E assim vai.

Dia-a-Dia

Bom, ainda estou no processo de imersão na cultura. Pra quem passou um tempo da vida em SP, aqui é totalmente diferente!

  1. As pessoas têm paciência. Elas esperam pacientemente. Nada corre, nem o transporte público. Dá pra andar sem se segurar. Pegar um tram, ônibus ou metrô (para quem não leu o post sobre meios de transporte, clica aqui) leva exatamente o mesmo tempo. Ninguém tem pressa. Ninguém se estressa.Isso tá sendo bem chocante pra mim. Mas sempre me falo que é a minha busca por evolução espiritual. Mas tem vezes que não me aguento, é mais forte que eu e eu resmungo em português mesmo.
  2. Burocracia. Eu vi MUITOS vlogs, juro. Também li muitos blogs. E cheguei aqui… meu, eles estão de PARABÉNS. Nunca vi tanto gasto de papel desnecessário e uma burocracia TÃO GRANDE em toda minha vida. E olha que eu trabalhava com impostos no Brasil! E é algo que eu não vou conseguir expressar em palavras e acho que nem ninguém. Para quem vier e tiver que passar por algum tipo de procedimento administrativo, só digo uma coisa: SE PREPARA. Vai ser MUITO pior do que tudo que vc já leu por aí.
  3. Cheiro de cecê. Tem muitooo! O tempo todo! Ás vezes surge DO NADA. Eu até acho que sou eu de tão repentino que bate que fico eu com os braços pra cima no meio da rua cheirando o sovaco só pra confirmar. Tem vezes que eu não consigo nem me controlar e no que me dou conta vejo que estou fazendo careta. Isso porque é verão.
  4. Crianças. A cada dia de passa, aquilo que dizem que crianças francesas são educadas se desmorona como um castelo de areia. Elas se vestem muito bem, pequenos adultos, fato. Mas não são educadas ou eu estou na Cidade das Crianças Berrantes. JESUS, MARIA e JOSÉ! Elas gritam, esperneiam e se jogam no chão por nada! E eu bem olho pra cara da mãe com uma cara de “cadê a mãe dessa criança?! Controle sua criança, por favor!” e elas nem aí. No máximo quase cochichando falam algo pra criança, que obviamente, de nada adianta.
  5. Compras. De ônibus. Sozinha. Ai que saudades do carrinho de mamãe (como se eu fizesse muitas compras de mercado em casa… Que saudades disso também!)! Compras de coisas de casa, de ônibus, sozinha. Hoje mesmo vim com dois cestos enormes debaixo do braço… e antes de vir para casa passei no mercado (pela milésima vez em 2 semanas, é tarefa semanal essencial, é tipo operação formiguinha) e sai com os cestos e as compras embaixo do braço. Peregrinei até o ponto de ônibus com um monte de coisa para depois subir o morro de casa a pé. Para eles é normal, mas pra brasileira aqui nascida na cidade plana, que morava a meia quadra de um mercado, padaria e poucos passos de um bar… Não tá sendo fácil não. Hahahah aqui pra tirar uma xérox do passaporte eu tenho que andar 500m (de morro) pelo menos. Padaria um pouco mais e mercado (que é caro) e tenho que andar mais de 1km.
    O preço das coisas são bem diferentes. Tem coisa que é infinitamente mais barato do que no Brasil, mas em compensação dependendo da parte do frango e carne vermelha em geral, é uma fortuna. É luxo comer carne vermelha aqui hahahaahahahah
  6. Universidade. É linda! Na internet é claro que parece mais bonita, mas gostei bastante do ambiance. O meu campus é o Saint-Paul, fica atrás da estação Perrache. No século XVIII ela era um presídio. E ela tem uma arquitetura bem peculiar… Como não consigo explicar tá aqui embaixo a planta dela:

    ucly
     

    Parece um sol. Ela foi construída desta forma para caso os prisioneiros escapassem de suas celas, fosse mais díficil escapar do presídio. Eu carinhosamente a apelidei  HOGWARTS. Parece que vc sobre em uma escada para ir a algum lugar e quando volta parece que aquela mesma escada te levou a outro lugar totalmente diferente.

  7. Aulas. Ainda não começaram de verdade. A primeira aula será amanhã de International Business Law e International Investment Agreements. Mas semana passada foi quando tive o primeiro contato com os professores e a universidade. Nos foi aconselhado a chegar nos primeiros meses sempre meia hora antes do início das aulas, pois os novos alunos sempre se perdem e ficam rodando pela universidade pelo menos meia hora até achar as salas (muda a aula, mudamos de sala, não é como no Brasil que os professores vão até os alunos, é meio que o inverso). Vamos ver amanhã como será.

Por enquanto é “só”, pessoal! Hahahahaha

 

Bisous à tous!

 

 


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