Estágio… C’est parti! – Parte II

negra

Bonjour, meu povo!

A gente tarda, mas nao falha. Venho hoje publicar a Parte II da minha experiência durante o estágio.

Como vocês já sabem, meu estágio foi de Junho/2017 à Dezembro/2017.

MINHA EXPERIÊNCIA

I. Dissertação
A dissertação era algo obrigatório no fim do meu curso, independentemente de ter conseguido um estágio ou não. PORÉM, se você tivesse um estágio você poderia escrever sobre a sua experiência e exigia uma quantidade menor de conteúdo e palavras do que a dissertação de quem não estava fazendo estágio.

Assim, fiz eu a minha dissertação, sobre nada mais, nada menos que:tcc

Algo que eu via e fazia todos os dias! Caso tenha alguém interessado em ler, clica aqui. Com sorte consegui fazer a dissertação e entregar com 1 semana de antecedência, pois na data do prazo final eram as minhas férias de estágio e eu estaria linda, bela e formosa desfilando  nas ruas de UK com minha irmã e a última coisa que eu queria era preocupação.

Na minha universidade, ao entregar a dissertação você precisa:

  • Obviamente, redigi-lo (sob pena de plágio) e obedecer as regras formatação e citação da Universidade de Harvard
  • Imprimir 2 vias e encardenar
  • Enviar por CORREIO. Sim, nunca vi país que gosta tanto de receber as coisas por correio.

Não me pergunte por quê não podíamos entregar pessoalmente, sendo que muitos de nós estávamos na cidade ainda. Vai entender…

A data de apresentação foi marcada para 27 de Setembro de 2017 no período da tarde. Minha chefe no dia da apresentação me deixou trabalhar de casa e fui apresentar minha disseração para um júri de 2 professores. Deveria falar sobre o assunto por até 30 min, salvo engano e responder perguntas o quanto bastasse.

No fim, deu tudo mais do que certo e algumas semanas depois da apresentação eu tive a minha nota 16/20 porque esqueci de colocar agradecimentos na minha parte escrita. #nocomments

Obs.: Lembrem-se que cada universidade tem um critério diferente de avaliação!

II. Fim do estágio
Bom, meus quatro últimos meses cheios de altos e baixos. Cheguei a viajar para a Suécia para conhecer a equipe, conheci muito mais do que as pessoas que trabalhavam comigo. Conheci a cidade, a casa deles, comidas típicas e ainda fiquei num hotel MARAVILHOSO com um café da manhã que eu estou até hoje lutando para perder os quilos ganhos naqueles dias!

No que tange o trabalho itself, tinha bastante coisa ainda pra fazer e minha chefe contratou alguém pra me substituir. Eu tive que treina-la e dar conta do trabalho enquanto eu pensava: “‘E agora, José?’ O que será de você??? Sua chefe já contratou uma outra pessoa, seu tempo tá passando e acabando.” 

Até que em outubro surgiu uma vaga na Volvo, na minha área (Export Control)… Na Suécia. Depois de muito pensar em ter que me mudar mais uma vez, começar tudo do zero de novo (até o idioma) decidi tentar assim mesmo. Gostava muito da empresa, do trabalho, da equipe e achava que valeria à pena.

Eu estava bem esperançosa, cheia de expectativas, afinal o que eu teria que fazer era algo que eu fazia já todo dia… A equipe me conhecia e conhecia o meu trabalho… Não tinha o que dar errado! Até que eu descobri que uma pessoa que era consultor externo dentro da equipe, sueco, que tava trabalhando com a gente há um ano e meio também se candidatou para a mesma vaga. Bom, já dá pra imaginar o fim da história né?! A resposta veio em novembro e fiquei bem arrasada por uns dias e me questionando sobre tudo. Se valia a pena passar por isso tudo (revivi mentalmente todas as dificuldade citadas neste blog), se não era melhor simplesmente no fim do meu estágio arrumar minhas malas e voltar pro Brasil, porque entre um local e um estrangeiro, sempre vão optar pelo local… Enfim, foi uma fase de muitas caraminholas na cabeça.

Lá em junho, quando comecei o estágio eu já sabia que queria ficar na Europa (preferencialmente na França, mas se não desse certo, na Europa) e ver a possibilidade que você acreditava ser a mais possível se esvair dá uma desestabilizada. O primeiro “não” é o mais díficil. Ainda mais nessas circunstâncias, pra mim foi bem díficil de digerir e ter que ir trabalhar e falar com todo mundo (ainda que por telefone) sorrir e fingir que tava tudo bem. Esse foi o meu baixo extremo durante o estágio que durou tipo 1 semana.

Passada a fase de vitimização e de pena de mim mesma (ao meu ver cultivar esse sentimento não faz bem nenhum e não muda em nada os acontecimentos), resolvi agir. Arregacei minhas manguinhas e comecei a procurar emprego. Acho que nessa etapa eu diria que finalmente o “Eu achei que seria o mais díficil” foi realmente verdade, pois:

  • você não é mais estudante
  • é estrangeira e sem visto de trabalho – é um visto provisório para poder procurar um emprego e com horas de trabalho limitado
  • a empresa tem que arcar com parte do seu visto ao te contratar. Menos do que se você viesse diretamente do Brasil, mas ainda assim a empresa arca com cerca de 1.000 euros/ano por aproximadamente 5 anos.

Acreditem, as empresas acham muito dinheiro e não querem investir assim em um “estrangeiro desconhecido”. Tenho um amigo que teve que voltar pro país dele porque não arrumava emprego e onde ele fez estágio não quis efetiva-lo por conta destes custos.

  • se você fica muito tempo parado, já não é interessante uma empresa contratar uma estrangeira estranha e que está há meses sem trabalhar
  • pagar as contas… como faz?

Os últimos meses foram bem intensos e com muitos acontecimentos. Foi díficil me despedir de pessoas que eu tinha criado um vínculo, mas foi bem legal porque era época de Natal e meu aniversário e fizemos um combo de comemorações. Lá eles sempre dão um “carte cadeau”, um vale-presente que você pode gastar em lojas como Galeria Lafayette, Decathlon, lojas de móveis… E to aqui agora nessa vida de gente crescidinha e madura pensando se eu compro um sofá ou um aspirador robô com o meu vale.

Apesar dos pesares de não ter conseguido ficar na empresa, continuo com a mesma convicção da Parte I. Foi uma experiência INESQUECÍVEL que me fez crescer em vários aspectos: profissionais, pessoais e psicológicos também. Quando eu poderia ter simplesmente jogado tudo pro alto e voltado correndo pros braços de mamãe e papai no Brasil, de alguma forma eu consegui tirar forças e coragem sabe-se lá de onde e tudo, tudo TUDO que o que eu consegui e que me aconteceu depois, foi graças à “Era Volvo”.

CONCLUSÃO

Para quem tem interesse em fazer um estágio pós mestrado, FAÇA! É super válido! Ainda que você volte pro Brasil. Você volta com outra bagagem, novos aprendizados, visão e perspectivas que vai te deixar ainda mais atraente no mercado de trabalho e certamente te dará AQUELE diferencial.
Não me arrependo de absolutamente nada e sou grata por exatamente tudo que me aconteceu tanto o bom quanto o não tão bom assim. Este estágio não me ensinou só sobre Export Control e regulamentação sobre bens de dupla utilização. Me ensinou a lidar com pessoas diferentes, culturas e idades diferentes, com limitações próprias e alheias, com questões pessoais e eu amadureci MUITO tanto pessoal quanto profissionalmente, com toda certeza.

Desculpem pelo texto longo, mas 2 meses sumida, voltar e falar sobre uma fase que ainda tá meio recente e fase esta que mais exigiu do meu estado de espírito e psicológico… Precisava colocar pra fora.

Diquinha da Bia:
Aos interessados por Mestrado na França e estágio, a Volvo tem várias filiais pela França e eles têm um programa para Alternant(e)s. Existe um tipo de mestrado na França que é um “mestrado profissionalizante”. Você fica 1 ou 2 semanas na faculdade (dependendo do curso é 2x por semana) e o resto do mês ou dos dias você passa na empresa.

E o melhor de tudo: este tipo de mestrado custa caríssimo, tipo 15 mil euros para europeu e a empresa paga tu-di-nho!

A faculdade onde estudei também oferece este tipo de mestrado, dá uma olhada:
http://www.ucly.fr/formation-continue/catalogue-des-formations-continues-/

O bom deste tipo de ensino é que você não vai cru pro mercado de trabalho. Aqui na França geralmente eles fazem todos os estudos para depois trabalhar, ou seja, saem da universidade com 23-24 anos (no mínimo) e com 0 ou poucos MESES de experiência profissional.

Próximo post é exclusivo para falar da saga sobre procurar emprego com 1 mês para acabar meu estágio.

Bisous à tous!


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