Estágio… C’est parti! – Parte I

negra

Bonjour, meu povo!

O post de hoje é para falar do estágio, como é, como faz, como foi. Como eu já havia comentado no post anterior, eu fui a única não europeia da classe a conseguir um estagio na França e 5/30 conseguiram estágio.

Acho que não comentei anterioremente, mas eu consegui meu estágio via LINKEDIN (link do meu perfil lá). Eu acho super bom!!! Para mim, desde o Brasil sempre foi muito eficaz e conheço várias pessoas que conseguem emprego por ele também.

BUROCRACIA INICIAL

Bom, de início, assim que somos aceitos em uma vaga de qualquer emprego, temos que mandar o e-mail formal de aceite à universidade bem como à empresa, para então eles darem início ao contrato de estágio. A universidade faz um contrato em conjunto com o Ministério da Educação francesa e te dá 5 vias. Você a faculdade e a empresa devem assinar essas 5 vias e 1 fica com você, 2 com a empresa, 1 com a faculdade e 1 com o Ministério da Educação.

MINHAS ATRIBUIÇÕES

Eu trabalhei durante quase 8 meses na área de Controle de Exportação da Volvo. Resumindo tudo, existem uns países que são considerados “sensíveis” pra fazer exportações de certos produtos. Às vezes as peças q são usadas em um caminhão normal, pode ser usada em uma bomba, tanque de guerra e outros casos de destruição em massa ou que pode ajudar na disseminação de terrorismo. Assim, existem várias legislações internacionais que devem ser seguidas. O meu trabalho era garantir que esses produtos/itens/partes não fossem enviados para esses países sem o devido licenciamento e complicance com a legislação internacional sobre isso.

Eu não sei vocês, mas eu AMO MUITO TUDO ISSO! É Direito e envolve operações internacionais… ADORO!

MINHA EXPERIÊNCIA

Bom, na minha primeira semana eu não conheci minha chefe porque ela estava de licença. Enquanto isso fiquei fazendo 3845 treinamentos e lendo sobre o trabalho.

Minha equipe ficava na Suécia, somente eu e minha chefe ficávamos aqui na França porque aqui tem muitas peculiaridades legais sobre o assunto. Uma pessoa super fofa veio da Suécia para me treinar (brasileira que mora na Suécia há mais de 20 anos), pois haviam algumas coisas com as quais minha chefe aqui na França não lidava e tinham que me ensinar pessoalmente.

Foi uma experiência inesquecível. Os 3 primeiros meses foram bem acelerados, cheios de projetos, aprendizados e inúmeras e intermináveis reuniões. Fiz muitos treinamentos, dei muitos treinamentos, criei processos, procedimentos entre outros. O departamento é relativamente novo então muita coisa estava ainda em fase de criação e amadurecimento e eu fiz bastante parte disso tudo.

Além dessa parte de você ajudar um departamento a crescer, pra mim esta experiência foi muito engrandecedora porque é bem legal ver como a cultura francesa funciona profissionalmente. Lá pelo menos tínhamos que dar beijo de bom dia em todos os presentes quando chegássemos. Caso não o fizéssemos, corriamos o risco de uma 3a Guerra Mundial estourar. Era realmente IMPRESCINDÍVEL. Quantas pessoas no departamento? VINTE. Como eu nao sou lá uma pessoa muito simpática de manhã cedo, o que eu fazia era chegar o mais cedo possível (pois isso também significava – teoricamente – que eu sairia o mais cedo possível), assim tinham poucas pessoas para eu dar beijos sorridentes e as outras pessoas quando chegavam que tinham que vir até mim. Ok, ainda tinha que dar beijo do mesmo jeito, mas pelo menos EUZINHA não tinha que ir de mesa em mesa. Hahaha Isso já me fazia um pouco mais feliz.

O que eu achei muito legal também é que a empresa tem uma cultura de semanalmente fazer reuniões de comilança, como a empresa é sueca, esta se chama FIKA. A palavra significa “pausa para o café”. Funciona da seguinte forma: há um lista e toda semana alguém é encarregado para trazer algo para o café da manhã. em um dia da semana (isso quando não há 2 ou 3 voluntários em dias diferentes em uma única semana). Isso em Lyon – França. E pode-se trazer de tudo, algo caseiro, croissant não pode faltar nunca, doces, chocolates, sucos…

Na Suécia era feito às sextas feiras no período da tarde um pouco após o almoço e obrigatoriamente tinha que ser algo caseiro. Assim as pessoas se conhecem, fazem uma pausa do trabalho e eles acreditam que seja algo benéfico para o trabalhador. Eu super concordo! Muitos quilos ganhos com isso à parte, posso dizer que finalmente fiz AMIGOS, russos, moldavos, algerianos… e franceses também! Sem contar que conhecemos melhor com quem trabalhamos. Jogamos mimica, fizemos fondue, raclette, picnic (isso tudo além do FIKA religioso). Então realmente cria-se um ambiente de amizade, tranquilo e divertido.

Eu aprendi muito em todos os sentidos com essa experiência, desde de trabalhar diretamente com pessoas de culturas diferentes ao trabalho mesmo. Antes de vir fazer o mestrado e especialmente fazer esse estágio, confesso que desconhecia totalmente esse campo dentro da minha própria área. Graças à ele eu aprendi muito e ainda vou explicar melhor o quanto esta experiência me ajudou e ajuda.

Então caso você aí quer ter uma experiência profissional exterior após o mestrado, saiba que é sim possível. Lembre-se que eu postei os melhores sites de busca de emprego e/ou estágio neste post aqui.

É preciso ser incansávelmente persistente. Quando você já não aguentar mais enviar currículos e quiser desistir de tudo, senta, chora (mas não por muito tempo, porque tempo chorando é tempo perdido que você poderia tá enviando mais CV’s!) e tenta mais um pouco. Sim, é chato, sim é difícil (como quase tudo na vida de um expatriado/estudante no exterior), mas nunca impossível.

Não tem aquela música que diz: “Quem Acredita Sempre Alcança” do Renato Russo? Então, diquinha da Bia: Segura na mão de Deus, canta essa música e vai! Ela é uma ótima motivação aos que estão em busca do “quase impossível” no exterior.

Digo quase impossível, pois já é bem difícil para as pessoas que são europeias, há uma concorrência ENORME. Para os meros estrangeiros sem dupla nacionalidade e sem o francês fluente (fluente mesmo!), é ainda um pouco mais difícil.

Mas calma, por que eu ainda vou contar a parte do procurar emprego durante / após estágio por aqui também. Se você tá aí achando que esse é o mais difícil, eu também achava… e guess what?! Nos enganamos e fomos surpreendidos novamente! Hahahah

Em breve postarei a parte II do estágio que englobará a parte da dissertação de conclusão de curso, fim do estágio e procura de emprego. Continua aí acompanhando essa novela que a coisa fica boa!

Bonne chance para quem está na fase de procurar estágio et bisous à tous!


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